Rio de Janeiro


Folhapress

Ação contou com a participação da Polícia Militar, Civil além de homens da Marinha


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Policias que participam da ação não encontraram resistência para ocupar a área
Foto: Salvador Scofano/ GERJ/Fotos Públicas
A ocupação do Complexo da Maré, na zona norte do Rio, demorou 15 minutos, segundo a Secretaria de Segurança. A ação que contou com a participação da Polícia Militar, Civil além de homens da Marinha, começou às 5h da manhã deste domingo (30).
"A ocupação foi extremamente tranquila. Os agentes já estão em todas as 15 comunidades, mas cada uma tem sua realidade e esse momento é de cautela e esperamos que os moradores colaborem denunciando'', disse o coronel Cláudio Costa, porta-voz da Polícia Militar.
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Por meio de nota, a pasta informou que os policias que participam da ação não encontraram resistência para ocupar a área. As forças de segurança continuam nas comunidades em buscas de criminosos e apreensão de armas, drogas e objetos roubados.
Dezenas de homens do Bope (tropa de elite da PM do Rio) circulam com fuzis nas favelas. Três pessoas foram detidas durante a operação. Um menor também foi apreendido.
A Polícia Federal, que também participa da ação, encontrou uma grande quantidade de drogas escondida em um bueiro na Vila Olímpica da Maré. Todos os presos estão sendo levados para o 22º batalhão da PM (Maré), na favela Nova Holanda.
Apreensivos, muitos moradores não falam com a imprensa com medo de retaliação. A auxiliar de serviços gerais J.R.S, 50, classificou como positiva a ação. "Por enquanto, tá tranquila [a ocupação]. A gente não escutou nenhum tiro até agora. Nada que amedrontasse", disse.
Ela é moradora há mais de 20 anos da Vila do Pinheiro, no Complexo da Maré. "Mesmo com desconfiança acho legal [a ocupação] porque é muito bandido armado na rua. A gente não dorme direito quando tem tiroteio. É horrível", afirmou.
Operação tem participação de 1.180 homens
A operação tem a participação de 1.180 homens de batalhões especializados da Polícia Militar, além de 132 policiais civis, com apoio de 21 blindados da Marinha, utilizados para o caso de haver barricadas nas ruas, além de aviões não tripulados das Forças Armadas e da Polícia Federal.
Depois de ocupada, a comunidade, que possui 130 mil moradores, irá passar por uma varredura em busca de armas e drogas, e a polícia ficará responsável pelo controle da área. Para a ação, foram interditadas a Linha Vermelha, no sentido centro, e a pista lateral da avenida Brasil, sentido zona oeste, das 4h40 às 6h50.
Na Vila do João, bairro do complexo onde está a reportagem, o clima é de tranquilidade e desconfiança por parte dos moradores.
Parte dos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) utiliza óculos com câmeras de visão noturna, capazes de filmar as ações de combate até mesmo durante a noite.
Os blindados iniciaram a ocupação na frente das tropas, mas tiveram dificuldade no acesso por conta da grande quantidade de carros estacionados nas ruas da comunidade.
'Pacificação veio para ficar'' 
O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou em uma mensagem direcionada aos moradores da Maré que as forças de segurança pública que chegaram hoje nessa comunidade e não vão mais sair. "Os senhores daqui para a frente terão segurança'', disse.
Segundo Beltrame, o Estado está sendo protagonista dessa ação, as forças armadas permanecerão ocupando o local por mais alguns dias, até a inauguração de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).