Roubo de veículos

Segundo a Polícia, existem casos em que o autor de um delito recebe como prêmio uma motocicleta


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As motocicletas tornam as fugas dos assaltantes mais fáceis por conta da agilidade
fotos: alex costa
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No ano passado, a Secretaria da Segurança Pública registrou, até novembro, 5.803 roubos e 2,627 furtos de veículos, somente na capital
As motocicletas, nos últimos anos, são os veículos mais procurados pelos ladrões, segundo a Polícia. Quase todas são tomadas de assalto, pois são utilizadas em outros crimes e precisam estar com a chave na ignição. Gustavo Pernambuco, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC), salienta que as motocicletas, ultimamente, viraram "moedas de troca", sem contar que são utilizadas na maioria dos homicídios. "Quase todos os homicídios são cometidos por pessoas utilizando moto", reforçou.
Sobre o fato de o veículo ter virado "moeda de troca", o titular da DRFVC explicou que existem casos em que o autor de um delito recebe como prêmio uma motocicleta. Segundo Gustavo Pernambuco, muitas vezes, as motos roubadas são trocadas por drogas. Quando uma permuta desse tipo ocorre, as investigações não ficam restritas somente à DRFVC. Em geral, equipes da Delegacia de Narcóticos e também Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Desde que assumiu a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Servilho de Paiva salientou a importância do trabalho integrado das Polícias Civil e Militar.
Trabalho conjunto
Com as suspeitas de que as motocicletas viraram "moeda de troca", a Polícia Civil intensificou as investigações em torno dos casos, principalmente devido às informações indicando que bandidos são "premiados" com esses veículos porque tiraram a vida de alguém.
As atuações nas investigações conjuntas por parte dos inspetores da DRFVC, Denarc e DHPP passaram a ser mais constantes a partir da comprovação de que os crimes envolvendo motocicletas não eram restritos somente aos roubos, furtos, receptação. Os veículos não são mais somente levados para os desmanches.
Conforme o delegado, antigamente, os bandidos roubavam uma motocicleta para a prática de outros assaltos, principalmente contra farmácias, mercadinhos e pessoas, no caso de "saidinhas" e "chegadinhas" bancárias. Essas modalidades criminosas ainda estão em uso, pois as motocicletas tornam as fugas dos assaltantes mais fáceis por conta da agilidade. Investigações sobre subtrações de motocicletas, que estão em andamento, já mostraram que muitos traficantes de pequeno e médio portes roubam os veículos e, em seguida, procuram os distribuidores de drogas para a realização da troca. "Eles deixam a moto como pagamento da droga", destacou Gustavo Pernambuco.
De posse dos veículos, os chefes das quadrilhas de traficantes repassam as motos aos entregadores de drogas, popularmente conhecidos por "aviões".
As motocicletas também são usadas por membros dos "braços armados" das quadrilhas. Esses bandidos são encarregados de matar usuários "inadimplentes" e, principalmente, traficantes concorrentes, que tentam tomar o território de outro vendedor de drogas.
Bancos
Alguns casos também são investigados com apoio de inspetores da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), quando motocicletas são utilizadas em ataques a bancos e explosões de caixas eletrônicos.
A tecnologia melhorou bastante a segurança dos veículos de quatro rodas. Isso fez com que os ladrões voltassem as atenções para as motocicletas.
Na opinião do titular da DRFVC, os bandidos perceberam que a migração para o roubo de veículo de duas rodas poderia ser mais lucrativa, pois é mais fácil de "passar para frente".

DN